domingo, 20 de maio de 2012

Será o MIMEÓGRAFO responsável por uma geração de alcoólatras?


 Quando eu estava na escola, mimeógrafo era um troço que servia pra reproduzir desenhos. E os desenhos serviam pra "treinar coordenação motora" - em suma, se você não consegue pintar dentro do círculo (ou em níveis mais avançados, dentro da cara do Sací), esqueça - você é um completo retardado e com sorte o deixarão ser inspetor de alunos em uma escola pública.

Colar milho no pintinho. Algodão no papai noel, e se você tinha mais de 7 anos e continuava desenhando, era por que a professora achava que você tinha talento e estava suficientemente alfabetizado. Se ela achasse que você não tinha talento, então era hora de parar de desenhar.

Desenhe no papel Stencil.
Mas aperte o traço!
Bem, depois disso vieram novas teorias à respeito do ensino de arte, e ao estagiar na escola pública, descobri que em algumas escolas os mimeógrafos foram trancafiados com mais segurança que os arquivos da Ditadura Militar. Aparentemente querem afastar a ideia de conhecer e respeitar a cultura do nosso povo era pintar a mula-sem-cabeça em traços roxos cheirando a álcool e encher o fogo que lhe sai das ventas com glitter. Culpa-se então a defasagem tecnológica dessa estranha ferramenta por algo que eu vejo como total falta de atenção do sistema educacional para com o potencial e as necessidades expressivas, cognitivas e estéticas do ser humano. 

Olha só, hoje tive a oportunidade de um feliz reencontro. 
Fiz este pequeno exercício de reprodução usando um mimeógrafo, que você pode ver ilustrando esta postagem.

O mimeógrafo, que em uma geração passada também serviu de meio de reprodução a escritores situados à margem dos padrões editoriais, comerciais e por vezes ideológicos, por vezes tudo isso ao mesmo tempo. 
Não abuse do álcool!

Lembrei e experimentei por uns minutos o que deve ter sido todo o esforço da professorinha tendo que carregar no traço, pro pintinho ficar bom na impressão final. Lembrei-me de professoras quase artistas que teimavam em reproduzir desenhos complexos à despeito da dificuldade de domínio sobre um meio de reprodução tão precário...

Lembrei-me de como eram sensíveis a seu modo. Diligentes. 
De repente não me importa mais se concordo com sua metodologia-do-ensino-de-arte.
Por que percebo agora, que há algo de poético no girar da manivela, no cheiro do álcool, no balançar das carnes gordas sob o avental de professora. 

Resultado final!
 CUIDADO PRA NÃO USAR MUITO ÁLCOOL!
Dedicado à todos os professores e professoras que eu já conheci.



quinta-feira, 10 de maio de 2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Dia internacional do Fanzine: 1 ano de FANZINADA

(CLIQUE PARA AMPLIAR)

RISO DE SATÃ: O “Politicamente correto” e natureza dúbia do humor




A dualidade é um jogo sedutor para artistas em geral, especialmente aqueles cuja “especialidade” é abordar temas que esbarram nas regras de conduta aceitas em geral.
Por isso freqüentemente o artista com uma tendência irresistível a ser politicamente incorreto opta pelo humor.

A figura do Palhaço vem do bêbado, daí o nariz vermelho. O humorista, nas raras ocasiões em que é cobrado por suas posições, costuma se defender dizendo “é brincadeira”.
É brincadeira, mas é sério, mas é brincadeira, mas é sério.

Me parece que toda forma de sociedade é repressora, claro que algumas mais outras menos. Aqui no Brasil temos o clássico exemplo do período da repressão. Os filhos da puta certamente me matariam depois de uma longa sessão de tortura por chamá-los de filhos da puta, se ainda tivessem poder pra isso. Então é comum que em períodos assim, só os humoristas, mestres da dubiedade, sejam capazes de dizer “umas verdades”. O bufão é uma caricatura do Rei, que é estúpido o suficiente para rir.

Se voltarmos um pouco a pensar nos dias de hoje, veremos que o humor se pluralizou. A Internet se tornou um veículo onde qualquer um pode se espressar – que bom! – mas isso, por outro lado, também deu a qualquer maluco a liberdade de se expressar. O “riso de satã”, diria Baudelaire, que aparentemente era intrigado por essa questão e se tornou um dos pouquíssimos “teóricos do humor”.

Na Internet percebemos categorias de humoristas. Vou listar algumas que me vem à mente no momento em que escrevo:

- Os Trolls: essa estranha recapitulação mitológica traz a figura de pequenos espíritos brincalhões da mitologia germânica (como percebida pela cultura Anglo-Saxônica). Os Trolls são espíritos levianos, inconseqüentes, próximos do nosso Saci.
São os poltergeisten digitais: ao comentar vídeos no Youtube, serão racistas, sexistas, sectaristas, nazistas – tudo para não perder uma boa piada. Exemplo: um daqueles vídeos de crianças asiáticas fazendo espantosamente bem alguma coisa que poucos adultos conseguem normalmente vem acompanhado de um comentário “TINHA QUE SER ASIÁTICO”.

(Não confundir com “Haters” – procure no Google. Um sujeito pode ser troll e hater ao mesmo tempo)

- Os Elitistas: muito comuns em economias emergentes como a nossa. São aqueles que postam, por exemplo, uma fotografia de mulheres gordas, negras e num ambiente urbano periférico acompanhadas de alguma frase do tipo “CULPA DAS CASAS BAHIA” (e ainda se preocupam em “explicar a piada” para seus companheiros de casta superior: “QUE PARCELA CÂMERA DIGITAL EM TROCENTAS VEZES”)

- Politizados: Só fazem ou consomem humor condizente com suas convicções políticas, sejam elas de esquerda, direita, traseira ou caralho a quatro. Estes são um grupo problemático até para ser definido, já que a variedade de posicionamentos sócio-políticos é imensa. Mas algo que eles parecem ter em comum é a “seriedade”, como se isso não fosse uma piada por si só. Seu humor é normalmente corajoso, provocativo, ofensivo para a corrente de pensamento oposta. Muitos não medem conseqüências. Mesmo aqueles situados “à direita” não medem as palavras, não se preocupam se o que dizem vai chocar, ofender, por que normalmente o objetivo é esse mesmo. Humor como arma de guerra. Ou de guerrilha.

Lembrei de uma da página no Facebook da banda UDR, de Minas Gerais: “CHOVE ABORTOS EM BRASILHA VITORIA DA UDR SOBRE O CRISTO FODAM-SE OS FETOS VIVA A VULVA!”.

Se isso aí em cima piada ou não, não importa para o presente artigo, embora em saiba que tem gente aí rindo, tem gente chocada.

Já vi gente na Internet que condena o Rafinha Bastos pela sua piada estúpida sobre o feto de Wanessa Camargo, mas é a favor do aborto e faz todo tipo de piada anti-católica por causa disso. (Isso aí me lembrou daquela do Maluf: “Tá com desejo sexual estupra, mas não mata”. Se bem que esse exemplo acima ta mais pra “Mata o feto, mas não estupra” - isso não foi uma piada -)


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Bem, se até agora falei sobre a Internet, é por que quis demonstrar um pouco dessa dualidade do humor, que existe desde que existe o humor.
Eu já mencionei, por algum motivo, mais de uma vez aqui neste blog a tendência de Shakespeare de incluir em seus textos personagens cômicos que pareciam servir como válvulas de escape para abordar assuntos que os personagens “sérios” não poderiam. Estes são freqüentemente bêbados ou cômicos profissionais, como palhaços e bufões (Trínculo, em “A Tempestade” protagoniza uma cena em que ele, um bufão, está bêbado – cômico ao quadrado).


Mas e quanto aos humoristas profissionais?
Será que Sacha Baron Cohen como Borat seria tão engraçado para nós brasileiros se o personagem fosse brasileiro?

Cohen, por sinal, é uma figura de humor altamente discutível exatamente por causa disso: a dualidade levada ao extremo.

Eu mesmo considero que Borat tem um aspecto genial, de fazer com que uma determinada sociedade demonstre seus preconceitos em frente às câmeras, por que está a frente de algo com o qual não consegue lidar – Borat é o estereótipo do estrangeiro, o bárbaro, sujo e hediondo estrangeiro tão temido pelas “nações prósperas”. Por outro lado, suas piadas também podem ser ridas da seguinte maneira: “hahaha é exatamente isso, esses russos sujos!”. Cohen é inescrupulosamente genial.

O humor brasileiro é historicamente fecundo nesse aspecto. Macunaíma, o miscigenado que foi cagado pode ser entendido de diversas maneiras.


RESPONDA RÁPIDO: Dercy Gonçalves provocava risos por que era uma piadista talentosa  ou por que era uma velha macaca de circo falando palavrão? – Resposta: os dois. tem gente que acha graça por um lado, tem gente que acha graça por outro. Eu descobri recentemente descobri que Dercy é de fato talentosa, e só posso te dar minha palavra de honra que não digo isso pra parecer politicamente correto.

Tenho desprezo pelo politicamente correto. Do jeito que anda a paranóia, num futuro próximo posso ser cobrado disso.
Nem todo padre é pedófilo assim como nem toda loira é burra.

Vai procurar saber sobre a censura na literatura que está rondando as escolas.“Clarice Lispector e Guimarães escreviam errado. Não pode”.

Cansei de escrever aqui por hoje. Vou mandar agora uma piada só pra relaxar:

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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Scans do nº 3 - Quimera no Quadrinhos Coletivos



Para comemorar seus primeiros 1.000 acessos, o blog Quadrinhos Coletivos me pediu pra disponibilizar um presente aos leitores. Ofereci o nº 3, espero que gostem, é só uma lembrancinha! =)


domingo, 15 de abril de 2012

Ninguem Presta no blog "QUADRINHOS COLETIVOS"


(Publicado originalmente no blog QUADRINHOS COLETIVOS: http://quadrinhoscoletivos.blogspot.com.br/, 11 de Abril)


 Ian Cichetto - seu criador conta aos seguidores do Blog Quadrinhos Coletivos da experiencia de produzir um fanzine, que já esta na quinta edição



A revista independente “Ninguem Presta!” começou a ser produzida em 2010, como a parte prática de uma pesquisa acadêmica sobre Fanzines de histórias em quadrinhos no Brasil.
Minha intenção era experimentar na prática esse meio de expressão peculiar que se convencionou chamar de fanzine, que nada mais é do que uma publicação independente (custeada, produzida e distribuída pelos próprios autores).

Com uma periodicidade totalmente irregular (por que dependente de verba, tempo, e vontade de uns poucos indivíduos envolvidos), a revista tem sido vendida em eventos especificamente organizados para isso, em bares e outros espaços de São Paulo.

Apesar de ter sido motivada por uma pesquisa sobre HQs, ao longo das edições esse “foco” foi se modificando, e a revista já no seu número seguinte contava com um número significativo de poemas visuais e pequenas narrativas ilustradas. Em todas as edições, procuro manter a presença de um ou mais colaboradores, com seus trabalhos característicos (freqüentemente bem diferentes do meu próprio trabalho e, portanto do resto da revista).

A edição vinculada à pesquisa era o número zero, indicativo de que se tratava de uma experiência, um protótipo, já que no momento ainda sequer planejava continuar com esse modelo. O nome foi escolhido para representar não uma afirmação ou um posicionamento filosófico, ou o que quer que seja, mas como uma interjeição – algo como o “PUTA QUE PARIU!” que se dispara quando algo pesado lhe cai sobre o pé.
A partir do número 1, “Filosofia da Porra!”, comecei a estabelecer uma certa “unidade temática”, sendo que neste momento já tinha decidido, mais ou menos, todo o conteúdo que seria veiculado nas próximas edições até o final de 2011, por uma questão de acúmulo de material que eu nunca tinha conseguido mostrar a ninguém! Ali, o tema era a sexualidade, os laços sentimentais, as relações afetivas – tudo isso tratado de maneira “Tosca, chula e apelativa”, como enunciava a capa, que contava com o rosto da “Pornstar” Katja Kassin, num close com a língua de fora. A partir de então, resolvi que cada edição traria na capa alguma personalidade mais ou menos “relacionável” com o conteúdo. A edição ainda trouxe o pôster da “Galinha do Mês”.

O número 2 (“Tinha que matar tudo!”) trouxe um Johnny Depp (que representou, sem saber, um papel dentro de uma HQ na presente na edição) manchado com sangue “de mentirinha” feito de nanquim e gouache e um pouco de um ingrediente secreto – e então lançado com uma seringa artesanalmente sobre cada exemplar, criando monotipias grotescas que tornaram ilegíveis algumas capas.
Ao trabalhar com esses rostos de pessoas existentes (tornando-os assim personagens meus, de certa forma), construí uma ironia insistentemente pentelha sobre as revistas que trazem personalidades bem-sucedidas, astros Pop e coisas que todo-mundo se interessa por um tempo, e joga no lixo no momento seguinte. Minha imitação tosca, preguiçosa e grosseira do logotipo da Rolling Stone é um reflexo disso.

A partir do número 3 (“Quimera”), as capas começaram a trazer também pequenas prosas poéticas (ou o que quer que seja aquilo) a respeito dos indivíduos ali estampados: Maurice Tillet, poeta, escritor e posteriormente personagem dos ringues de luta livre estadunidense

e inspiração para o rosto do “Shrek” no número 3; O físico sérvio Nikola Tesla, inventor e indivíduo determinante para a segunda revolução industrial por suas descobertas sobre eletricidade e paradoxalmente praticamente desconhecido do público em geral (incluindo outros físicos de hoje), no número 4 “A Mente é uma Coisa Terrível de se Degustar”, título inspirado no nome de um álbum do Ministry; chegando ao número cinco, que traz o escritor Philip Kindred Dick, autor de livros que deram origem a filmes como Blade Runner, OPagamento, O Homem Duplo, Minority Report e o Vingador do Futuro, mas que produziu intensamente e ousou falar de coisas que a “inteligentzia” de nossa época ainda não se deu o trabalho de levar a sério. Nessa última, preferi não trabalhar com um tema, mas por alguma coincidência esquisita eu e os outros três colaboradores estamos falando de forma parecida, sobre temas parecidos.
Infeliz ou felizmente, devido às pequenas tiragens (que variaram de 200 exemplares no nº zero até 30 nos dois últimos), praticamente todos os números estão esgotados, com exceção do nº zero. Atualmente estou cogitando um relançamento em forma de um “Box” contendo todas as edições e mais algumas bobeirinhas, além da próxima edição que deve aparecer por aí em maio de 2012!

Ian, o da rocha – 04/2012









 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Quadrinhos Coletivos: Revista Independente NINGUEM PRESTA!  



Confira no link abaixo um depoimento meu sobre todo o trabalho com o Ninguem Presta! até agora, publicado no blog Quadrinhos Coletivos, inclusive contendo partes dele que nunca estiveram na Internet!


  Ian Chic...: Revista Independente NINGUEM PRESTA!    Ian Chicheto - seu criador conta aos seguidores do Blog Quadrinhos Co...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Jogral Íntimo & a Iggnorantzia - Próxima Edição!


TEORIA DOS CONJUNTOS aplicada a uma REVISTA INDEPENDENTE

Se o conjunto de pessoas que formam a "nata" da intelectualidade de um determinado local é chamada de "Intelligentsia" (por vezes grafado como "Intelligentzia", por causa da pronúncia eslava que colocou a palavra em uso), então podemos deduzir que todos os outros seres humanos (considerando que o conjunto em questão seja somente composto por grandezas humanas) ou mesmo todos os outros seres vivos neste mesmo local (considerando o nosso conjunto "U" ("Universo") englobando também os seres vivos não-humanos), e assim por diante, podemos chegar à conclusão bastante óbvia de que estes indivíduos não fazem parte do conjunto da "Intelligentzia" (de agora em diante chamado de "A"), logo pertencem necessariamente ao conjunto da Iggnorantsia (por vezes grafado "Iggnorantzia", por causa da pronúncia eslava), que chamaremos por hora de "B".


Em termos mais didáticos, "B" corresponde ao conjunto total da humanidade - excetuando os membros do seleto grupo A. Logo, segundo esse raciocínio, somos duas humanidades dentro de um conjunto maior, que convencionou-se (errôneamente, segundo esse raciocínio) chamar "humanidade".

A relação dos membros do conjunto "B" com a vida só pode ser então não-inteligente. Em seu íntimo, uma procissão de pensamentos não-inteligentes marcha em direção ao vácuo. Um jogral polifônico irregular, desigual, não-uniforme, não-específico, muitas vezes sem objetivos conhecidos, muitas vezes sem esperança.
Mas capaz de coisas (para o bem ou para o mal) que a Intelligentzia só consegue perceber com décadas, séculos, milênios de atraso, quando consegue. A Intelligentzia (Conjunto "A") é capaz de sonhar? De amar?

O presente artigo não é capaz de dar conta dessas questão, pois aquele que escreve, segundo a lógica aqui proposta, é parte integrante do Conjunto "B".

ATUALIZAÇÃO em 13/04:
Devido a reclamações de leitores quanto à inteligibilidade do texto, foram incluídas dois esquemas gráficos para auxiliar na compreensão de como a Teoria dos Conjuntos se aplica neste contexto.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Artistas e Engenheiros - Concessão ou Fome parte 2

Se você não leu a Parte 1http://zineninguempresta.blogspot.com.br/2012/04/manifesto-desenho-livre-por-mim-mesmo.html


Tem um filme brasileiro chamado "O Homem que Copiava" (roteiro e direção de Jorge Furtado). É com Lázaro Ramos e a Leandra Leal. Me fez pensar bastante sobre arte. Tem uma cena onde ocorre um diálogo mais ou menos assim: 

- Desenha alguma coisa pra mim.
- Hmm.. mas o quê?
- Não sei, alguma coisa...
- Que tipo de coisa você gosta?
- Alguma coisa que seja boa de ficar olhando!

Como essa cena voltou aos meus pensamentos por anos a fio (já que minha área de trabalho na educação em artes exige imensa pesquisa e reflexão sobre a filosofia da arte), acabei de uma certa maneira percebendo que o que eu realmente quero é recuperar algo que perdi acidentalmente durante meus estudos sobre arte: uma espécie de... objetivo ligado ao próprio ato de desenhar.
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Com o crescimento físico vêm a necessidade financeira, e às vezes, é nessa fase que se vai também a parte prazerosa de desenhar. Como os românticos obrigados a escolher entre a concessão e a fome. Delacroix e Ingres. Então vem Picasso com uma ideia sobre infância totalmente diversa da minha. 

Concessão ou fome, concessão ou fome. Tic tac tic tac, o aluguel vai vencer. Por que eu não estudei Engenharia? Lembrei: não entendo matemática. Acho tudo isso um saco. Sinto muito, Leonardo.
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Uma palavra costumava ecoar dentro de mim, até os 19 anos... "propósito"... Aí então acho que esqueci o que ela significa, por que estudar sobre arte me incutiu uma tarefa burocrática de justificar e dar referências bibliográficas para uma tarefa tão infantil quanto desenhar. É estranho, não sei se é bom. Eu acho estranho. 
Não, na verdade não gosto. Me sinto um arquivista, um burocrata transferindo papeis de um lado pra outro (os pensamentos nos livros de arte), e tendo que escrever memorandos pra justificar minhas ações. Preenchendo formulários. Isso é medonho, repulsivo, eu não sei que espécie de mutante é capaz de suportar esse sentimento.

Memoriais descritivos para te provar que meus papeis possuem o valor que você não tem tempo ou saco pra tentar descobrir sozinho. Quando eu crescer vou ser artista, aí então vai ter gente escrevendo essas maluquices por mim. Sobre mim. Sobre cada pedaço de merda que eu lançar no mundo.
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Então, quando eu morrer, algum rabisco feito por mim aos cinco anos vai ser arrematado em leilão por uma puta grana, e vai dormir no cofre de um Engenheiro.

Manifesto Desenho Livre - Concessão ou Fome parte 1








quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ninguem Presta!™ recomenda! Sites e blogs...

Eu não sou exatamente um sujeito que adora ler na tela do computador, portanto meu conhecimento e capacidade para acompanhar blogs é extremamente limitado. Mas considere simplesmente que um sujeito desse tipo não vai te indicar qualquer coisa. 
Abaixo estão coisas valiosas com as quais tive contato na internet, quase todos através de amigos que são (pode acreditar) uma versão viva de suas manifestações internéticas.




(Em ordem alfabética)


Site do poeta, escritor e editor artesanal Luiz Carlos "Barata" Cichetto. Além de conter extenso conteúdo no melhor estilo "portfolio", é também veículo de expressão do autor, cheio de links e conteúdo exclusivo. Em atividade desde 1997, é um dos primeiros do gênero no país (aliás, se considerarmos que a Internet surgiu no Brasil em 1996, pode-se dizer que é um dos primeiros em qualquer gênero). Através do site, pode-se inclusive encomendar livros, CDs e outros trabalhos do autor, assistir a vídeos relacionados e uma infinidade de outras coisas.

Barata também é o criador do projeto webrádio KFK (kfkwebradio.com.br)

Blog relacionado à revista independente "Caracol". O Projeto Caracol é uma iniciativa minha e do Felipe, onde propomos um ao outro um diálogo artístico (que na verdade é bem mais um jogo do que um "diálogo"), mas onde a liberdade de expressão individual é mantida. É possível encomendar a versão "física" da revista através do contato com os autores. 

Blog do escritor e arte-educador Guilherme Ramalho, um dos colaboradores do "Ninguem Presta!". Num estilo "clean", contos e anotações em uma prosa livre (algumas narrativas são menores do que seu próprio título), com fotografias ocasionais extraídas de diversas fontes (filmes, clipes, etc). Dotado de influências as mais diversas, o texto de Guilherme é recheado de citações e termos internéticos, referências da música, cinema e autores acadêmicos, sem perder o trabalho poético na construção dos textos. 

"A Marca de Fantasia é uma editora independente dedicada às Histórias em Quadrinhos, Artes, Comunicação, Linguística e à Cultura Pop (expressões da indústria cultural, como as séries televisivas, a ficção científica, o rádio, a música popular etc.).

Criada em 1995, a editora resultou da experiência com a edição de fanzines e a fundamentação de alguns estudos acadêmicos. Faz parte desse histórico a publicação entre as décadas de 1970 e 1990 de vários números da revista em quadrinhos Maria, dos fanzines Marca de Fantasia e Nhô-Quim, e a realização de Mestrado e Doutorado sobre o universo dos fanzines" - texto deles.


Blog de Barbara Jimenez, com textos de difícil classificação, oscilando ao menos na forma entre a prosa-poética e o verso propriamente dito, auto-declarada simbolista. Repleto de citações literárias, dramáticas (fortemente surrealistas e fantásticas) e "histórico-geográficas", sem entretanto nunca cair na armadilha da obsessão por uma necessidade de "argumentação estética". 


Blog do artista plástico, ilustrador, músico, palhaço e arte-educador que aliás também é meu parceiro no zine "Caracol" (ver acima). No blog, pode-se acompanhar a produção visual e alguns textos ocasionais do artista, dotado de um trabalho com um estilo simples mas que sempre de alguma forma força uma observação mais demorada (tanto visual quanto emotiva e racional), no melhor estilo de um cruzamento entre a linguagem do cartum e da pintura "pura-e-simples".


Intenso e indispensável trabalho de pesquisa sobre as histórias em quadrinhos e as publicações independentes enquanto uma resposta à necessidade expressiva do ser humano. 



"Doutor em Ciências da Comunicação, na área de Interfaces da Comunicação, pela ECA-USP, (premiado com a melhor tese de 2006 pelo HQ-MIX-2007), mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, pesquisador do Observatório de HQ da USP; da Interculturalidade e Poéticas da Fronteira - UFU e do INTERESPE – Interdisciplinaridade e Espiritualidade; editor e autor independente de histórias em quadrinhos adultas de temática fantástico-filosófica" 

Ótimo projeto do jornalista Christian Costa, um blog de resenhas, críticas e notícias  voltado à cultura, mas de uma abrangência sem par nem precedentes, dividido em "eixos": 

Agenda, Artes Plásticas, Cinema, Gastronomia, Listas, Literatura, Música, Notícias, Quadrinhos, Saladatas, Seriados e Videogame. Mesmo assim, dentro de cada um deles você pode encontrar resenhas corajosas e séries para todos os subtipos imagináveis dentro de uma "linguagem" - o autor trata com o mesmo empenho um filme dito "DE ARTE" e um filme "COMERCIAL" que muitos julgariam descartável, numa linha crítica extremamente pessoal e pouco impositiva (portanto pouquíssimo tradicional ou comum de se ver por aí), portanto desviando-se com sucesso do enviesamento disfarçado a que estamos acostumados.


Embora os pequenos textos em cada um dos milhares de tópicos sejam sucintos demais (e sem referências para pesquisa), o estilo do site e a maneira como os assuntos são organizados é extremamente agradável, no melhor estilo "Clipping", com um imenso banco de imagens sobre diversos períodos, locais e manifestações artísticas (ou simplesmente estéticas) diferentes, abrangendo desde um pequeno depósito de música erudita até sessões sobre Body Art, ilustração, etc. 


Mungangas de Ian, o da rocha - crítico cultural leigo, semi-especializado em pornografia "straight"

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Trivia - Galinha do Mês

Você sabia? A "Galinha do Mês", poster que acompanhou a agora esgotada edição nº 1 desta revista, foi de uma certa maneira inspirada nos trabalhos do japonês Namio Harukawa e - em menor grau - da italiana Giovanna Casotto e também um pouco naquela galinha do desenho do Pica-Pau? Claro que ambos desenham muito melhor e não são tão apressados quanto eu, mas eu fiquei pensando, "quem é que vai bater uma pensando numa mulher com cabeça de galinha? Então não preciso caprichar tanto!"
E você se perguntando... "por que eu estou lendo isso?!"
Capa do Almanacão de Férias do
 Ninguém Presta!, que será reeditado em breve!

Namio Harukawa

Namio Harukawa

Giovanna Casotto

terça-feira, 20 de março de 2012

Oficina de Fanzines - Biblioteca Monteiro Lobato (Guarulhos - SP)



Tá rolando uma oficina de fanzines em Guarulhos, na Biblioteca Monteiro Lobato (Centro). Minha ideia nesta oficina é proporcionar a troca de informações, técnicas e ideias sobre esse nosso riquíssimo meio de expressão independente, e o objetivo final é proporcionar possíveis encontros criativos para que as pessoas se unam em suas produções, se assim desejarem. Ela acontece toda Segunda-feira, das 19:00 - 21:00, mas é necessário se inscrever na biblioteca antecipadamente. Qualquer dúvida, me mandem um e-mail: iancichetto1@gmail.com ou então direto pelo telefone da Biblioteca.

Além desta, ocorrem no mesmo local (mas em dias diferentes) outras oficinas, como por exemplo Colagem, Teatro Aprofundamento, Criações Literárias, Cerâmica (Curso especial para Deficientes Visuais), Produção de Video Documentário, História em quadrinhos e História da Arte.


AÇÃO CULTURAL DA 

Biblioteca Monteiro Lobato (central)

Rua João Gonçalves, 439 – Centro - Guarulhos - SP
Telefone: (11) 2087-6900



Aí em baixo no Google Mapas:


http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&safe=off&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_cp.r_qf.,cf.osb&biw=1024&bih=655&um=1&ie=UTF-8&q=biblioteca+monteiro+lobato+guarulhos&fb=1&gl=br&hq=biblioteca+monteiro+lobato+guarulhos&hnear=biblioteca+monteiro+lobato+guarulhos&cid=0,0,1238707827539352665&ei=BoJoT7yMGsaJtwfdspXzCA&sa=X&oi=local_result&ct=image&ved=0CAYQ_BI




quinta-feira, 8 de março de 2012

Sobre "Ninguem Presta!"

Este é o blog da revista independente de mesmo nome, criada por Ian, o da Rocha - São Paulo - Brasil.

A revista em si é uma experiência criada inicialmente como objeto de estudo acadêmico: o Nº Zero foi analisado em minha monografia "Os Fanzines de Histórias em Quadrinhos no Brasil - O artista que cria seu espaço", em seus aspectos estéticos (tanto visuais quanto literários) e ideológicos, para que eu pudesse vivenciar ao menos em parte o modo de produção artística desenvolvido pelo fanzinato de quadrinhos no Brasil.

Ao perceber as possibilidades expressivas desse meio, resolvi expandir a experiência: juntando uma série de textos e ideias armazenadas desde 2008, separei em 6 temáticas ou propostas estéticas básicas essa coleção de anedotas, textos, pequenos contos visuais e HQs. Divisão esta que tem mais um intuido de formar "blocos temáticos" do que realmente categorizar e limitar o que tenho feito até agora.
CLIQUE PARA VER O PORTFOLIO VIRTUAL DO IAN =D

Portfolio do Ian!